Monday, 28 November 2011

Fazer bem feito.

Hoje recebi este e-mail da Zilian, uma marca que eu adoro. Sempre achei o conceito arrojado, que a marca tinha 'oomph' para dar e vender, que as lojas são giras e dão vontade experimentar tudo. Gosto muito da ideia de ter todos os modelos, em todos os tamanhos, em todas as cores. Para além disso, é design português, o que muito me enche de orgulho.

Pois hoje, ao ver a campanha do 'Perfect Match', fiquei com pena de a ideia não ter sido excelentemente executada. Agora que o meu trabalho é precisamente a comunicação, reconheço que o maior desafio é fazer bem feito. E, na comunicação e nas áreas criativas, não há desculpa para falhar. É preciso racionalizar a mensagem, testar as palavras, perceber o que funciona e o que não funciona e, principalmente, compreender melhor do que ninguém o produto.




Dito isto, talvez o melhor seja até dar um ou dois exemplos que, creio eu, não falham NUNCA. Por exemplo, o Net-A-Porter:




[Btw, isto está assim às postas porque tive que fazer vários printscreens, que o meu monitor é mini.] O Net-A-Porter envia novidades todas as semanas através de newsletters muito simples, mas muito bem desenhadas, com um ar super limpo, e - o mais importante - muitíssimo inspiradoras. Creio que é um pouco disto que falta à Zilian: afinar a apresentação. O produto é bom, só precisa de ser comunicado de uma forma mais edificante. E não faltam bons stylists por aí, senão a Fashion Clinic não faria as suas newsletters tão bem:






Podemos falar em segmentos diferentes, em alvos de mercado diferentes, e podemos dizer que não se compara o que é diferente, é claro. Mas parece-me que o problema aqui é que, nos 5 segundos em que se abre um e-mail destes e se fica a olhar para a imagem, não há aquele 'click' que nos faz sonhar, não se activa qualquer desejo. Pois com as newsletters da Net-A-Porter e da FC eu sonho. MUITO.



E agora voltando à campanha Perfect Match da Zilian, que, como disse, parece uma ideia gira, porque sapatos e carteiras para nós é tipo, sei lá, whiskey e charutos para os homens, isto é,  são coisas que nos aparecem na vida de mãos dadas.

Começando pelo par de cima à esquerda, não fosse o padrão 'zilian' nas margens da imagem, acho que se confundiria facilmente com uma proposta chunga da Trafaluc, que, para quem não sabe, é o segmento teenager/low budget da Zara. As botas merecem uma mala mais charmosa, como um cheirinho vintage, tipo um clássico da Mulberry ou uma mala de carteiro. Uma shopper de dois tons não é, de todo, o par perfeito para umas botas de inspiração rústica. Nuh-uh, not in a million years. Mais uma vez, vejamos como é que se faz no Net-a-Porter:




Aqui vê-se uma botas parecidas, rasas, cordões, um bocadinho masculinas, combinadas com uma carteira mais estruturada, com um aspecto mais 'técnico', como que a fingir que a preocupação aqui é mais funcional do que estética (mentira, claro, hello! :). Umas botas deste género, como as da Zillian, pedem que se brinque com peças mais andróginas, preppy, pouquíssimos acessórios, para que no fim a coisa resulte despretensiosa.

Passando ao par do canto inferior esquerdo, do sapato azul com a mala castanha com textura a imitar um padrão animal - TÁ MALE! MALE! Net-A-Porter, please show us how it's done!
Ora, aqui o sapato não é exactamente idêntico, como bem se vê, mas é o mesmo género. Em camurça, num tom de outono, com uma sola que sugere que é um sapato de todos os dias. Em vez de combinar com uma mala mais urbana como a da foto acima, a Zilian parece ter olhado só à complementaridade da cor (azul turquesa e castanho caramelo são, em teoria, cores muito combináveis), descurando o facto de serem de ondas completamente diferentes. A mala com alça curta não é tão prática como o sapato sugere, e as texturas não se relacionam minimamente, nem o contraste é suficientemente eficaz. 

NEXT!

No canto superior direito: as sapatilhas com 'gola' dobrada e mala vermelha. Zilian, feel free to take notes: 



No exemplo da Zilian, não há lógica na combinação das sapatilhas high-top em tons terra com a carteira vermelha, que, por si só, não é uma mala básica espectacular. De facto, o mais simples é o mais difícil de fazer. 


Nos pares do canto inferior direito e do centro, não tenho muito para apontar, a não ser que lhes falta criatividade e arrojo, e que nem um nem outro me inspiram por aí além. Nem um nem outro fazem com que tente convencer-me a mim própria de que estou mesmo a precisar de uns sapatos assim ou de umas carteiras assim.

Agora, não digo que faria isto melhor que a Zilian, digo apenas que, enquanto cliente e fã, gostaria que a marca melhorasse e dignificasse mais a apresentação dos seus produtos, que são excelentes! E para demonstrar que esta minha crítica tem um cariz construtivo e que eu e a Zilian não estamos de relações cortadas: QUERO UM PAR DE CADA COR!














Saturday, 19 November 2011

Finalmente comprei uns specs como deve ser. São Moscot, um clássico por excelência.


Sunday, 13 November 2011

Já pedi ao Pai Natal...

... mas, pelo sim, pelo não, vou juntando uns trocos até lá!

São Prada, são maravilhosas, têm um laçarote fofinho, e custam 320 euros. *suspiro* Vi-as na loja online da marca, mas tenho esperança de que estejam na loja da Av. da Liberdade à minha espera.





Sunday, 23 October 2011

Está de chuva!

The Tuck

Pois é, agora a cena são as camisas. E toda a gente sabe que as camisas implicam uma série de questões - fralda por fora? Fralda por dentro? Fralda entalada só a meio com o resto a cair um bocado à toa? Atado na cintura? Decisions, decisions...
Esta é, portanto a grande, a imensa e pesadíssima questão que tira o sono a todo o usador de camisa. Eu, depois de muito indagar, lá optei pelo tuck da moda: meio fora, meio dentro. Phew!

Mas primeiro vamos ver uma senhora gira cujo nome não decorei a fazer isto bem feito:

Diz o Net-A-Porter (Hi, Net-A-Porter! Love you, Net-A-Porter! *wink wink*) que esta tendência (odeio esta palavra) 'is all about considered nonchalance'. Parece-me uma excelente definição da coisa: uma cuidadosa despreocupação. Agora, é claro que uma pessoa passa meia hora em frente ao espelho a entalar de um lado, a soltar do outro, a ver se não fica esquisito atrás, enfim, a coisa requer alguma sensibilidade, pelo que de descuidado tem na verdade muito pouco.

E agora eu a fazer o melhor que posso:

Cá está: a cena da fralda (vulgo tuck) resolvida. Fui trabalhar achando que estava razoavelmente fixe. A camisa é Zara, já com alguns anos, as calças são Zara (desta estação, a última compra antes da minha decisão - que estou a cumprir, ficam a saber - de não comprar mais fast fashion), as sabrinas pretas velhotas são Primark e a carteira é vintage, comprada lá nos meus tempos de estudante nas Inglaterras.


aujourd'hui je suis comme ça