Saturday, 15 October 2011

Tuesday, 11 October 2011

I shop therefore I (forget who I) am.

Querida Zara,

Obrigada por tudo. Por trazeres ao meu armário todos os Miu Mius, Guccis e Balmains que nunca pude comprar, por satisfazeres os meus impulsos irracionais de consumo e por melhorares um bocadinho dias tristes e desanimados em troca de uma fracção do meu disposable income. Foste minha amiga quando precisei de um trapinho de poliéster feito no Vietname que, num certo contexto, me permitiu aparecer em festas a parecer uma musa de Dolce & Gabbana. Os teus designers são pesquisadores exímios. As tuas lojas são templos de inspiração irrepreensíveis (nota: se bem que o chão dos teus provadores poderiam ter um bocado menos cabelos e cotão).

Foram anos inesquecíveis que me atolharam o armário de tralha que usei meia dúzia de vezes e da qual me fartei porque, semana após semana, as tuas montras me acenaram com coisas ainda mais giras. E assim me fui viciando nas tuas pechinchas, que, parece que por magia, perdem todo e qualquer interesse depois de as usar três ou quatro vezes.

Tendo tido a felicidade e a clarividência deste terrível ciclo vicioso, decidi reabilitar-me. Não te vou visitar mais. E tu estás mesmo aqui ao lado de casa! Não te vou visitar a ti nem às tuas amiguinhas da família Inditex. O Amâncio já está podre de rico e já não precisa dos meus euros. 

Como tal, resolvi assumir um compromisso: vou passar a comprar menos e melhor. Por exemplo, em vez de te comprar 3 pares de botas a 70 euros cada, vou comprar estas Hunter, que - imagine-se - são giras e muito práticas e custam 200€:

 Vou fazer ainda outra coisa: olhar bem para o meu armário e vou tirar muito mais partido do que já tenho, especialmente das peças que não te comprei a ti e que estão escondidas por baixo dos teus farrapos.


Foi muito bom, e tal, mas não vai dar mais. Escusas de te esforçar e de esfregar na minha cara as tuas deliciosas imitações a preços baixos. Tu dás cabo de toda uma indústria e não passas de uma raposa ardilosa, que, ao prometer chiqueza por 29,99€, me leva centenas e centenas de euros a cada estação.

Have a nice life!

APPR



 

Nem a propósito, esta obra da genial Barbara Kruger (que eu adoro de paixão).

Thursday, 29 September 2011

Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

Resisti com cada fibra do meu ser a estes meninos.  Disse mal deles: que salto esquisito, que frente bizarra, parece uma pata de um bicho, e todo este bling-bling, pffah, ainda bem que não são nada de especial, é menos uma coisa para eu ficar a 'augar', etcetcblábláblá.

STOP. Rewind! Afinal, isto bateu-me. Gosto deles. Gosto muito deles!! Imagino-os assim com uns jeans escuros muito básicos e o top mais neutro e sério possível. Tipo, do pescoço ao tornozelo, super blasé, 'ah, eu não ligo a roupa, visto a primeira coisa que encontro de manhã...'. Do tornozelo para baixo: PARTY TIME!UNX UNX UNX!

Vou ali partir o porquinho mealheiro e venho já. Ou então, enfio a cabeça entre os joelhos, ponho uma mordaça na boca e espero que me passe.




Thursday, 8 September 2011

Chauvinistic, much?

Deparei-me com esta pérola hoje de manhã, enquanto lia as gordas do Diário de Notícias:
Vamos lá ver se nos entendemos: a legenda da foto diz 'Assunção Esteves empenhada em cortar na despesa da AR', e ao lado, na foto, temos a Presidente da Assembleia da República retratada a piscar o olhinho, sorriso apertado e a cabecita atirada para trás - uma pose algo coquette, flirty, assim a atirar para a boneca safadinha - uma espécia de Lolita de blazer. Eu já vi pessoas empenhadas a fazer uma data de coisas - eu própria me empenho de vez em quando - e não creio que seja esta a expressão corporal e facial de quem se empenha em coisa alguma, a não ser, talvez, para ir parar ao calendário Pirelli.

Fiquei de boca aberta com o uso desta fotografia da Presidente da Assembleia da República para ilustrar um artigo que fala da necessidade de cortes na despesa da AR. Pensei mesmo, 'porque não levar a coisa até ao fim?':

Peguei nas canetas e resolvi, literalmente, dar corpo à ideia do palerma a quem o DN paga para ilustrar as notícias. Quem sabe assim o DN me contrate!! Olhem, olhem, também sei fazer!

É que não me lembro de ver fotos do Jaime Gama em pose de pin-up ou o Almeida Santos a fazer biquinho sexy. O facto de haver mulheres em cargos políticos (ou mesmo sem ser políticos) de grande relevo ainda causa alguma comichão, não causa? E é por isso que ainda temos que levar com este 'embonecamento', não é? É que, ou é isso, ou a escolha desta foto foi mesmo da responsabilidade de um palerma.

Monday, 5 September 2011

Cafonice total.

Uma nota rápida para os que adoptam termos como 'tendência' (as in: omg, isto agora é supé tendência!!!111!!1), 'look' ou, pior do que isso, pérolas como 'peeptoe aberto à frente' (oi?): vão-se encher de moscas!!


Monday, 25 July 2011

CLUTCH

Olá :)

 Alexander McQueen
 Anya Hindmarch (suspiro!)
Yves Saint Laurent

Christian Louboutin (olhós sapatinhos lá em cima)

Jimmy Choo (Ui. Gosto tanto.)

Outra do 'Jota Cê'.

Jil Sander

Bottega Veneta

Marni   





Preciso de uma clutch muito gira para um casamento. Uma coisa é certa: não será nenhuma destas!

Sunday, 10 July 2011

Um sortido de coisas boas.

Aqui vai, por razão nenhuma e sem uma ordem específica, um punhado de coisas fixes e das quais tenho gostado muito ultimamente:


O Manel Cruz é tudo o que eu adoro num músico. Esta música em particular, de ritmo corridinho e melancólico, uma voz que parece um sussuro junto ao ouvido, um cheirinho a Norte no sotaque... A letra ('diz-me o porquê dessa canção tão triste/me fazer sentir tão bem/decerto alguma coisa mais te disse a mesma voz/que tu não dizes a ninguém') explica a sensação de encontrarmos numa música uma voz que nos compreende. As músicas tristes são uma das melhores coisas que existem. O Jeff Buckley, por exemplo, foi, durante anos, uma opção segura quando precisei de consolo. Acho que agora vou nomear o Manel Cruz para esse efeito. Tudo o que ele faz é tão bom e, embora não saiba explicar bem porquê, o som e as palavras dele, seja em Ornatos Violeta ou Foge Foge Bandido, são tão, tão boas para mim.... Até tenho medo de ouvir demais, não quero que isto deixe de bater.







Andorinhas (ou outros bichos) do Rafael Bordalo Pinheiro. 1) São portuguesíssimas; 2) São tão giras, em tamanhos diferentes; 3) Não é preciso ir às Caldas da Rainha de propósito, agora tem n'A Vida Portuguesa. No meu aniversário, os colegas do trabalho ofereceram-me algumas, pequeninas, médias e grandes, para fazer um bando delas a voar-me pela parede, na casa nova. Não podia ter adorado mais o presente! Estou ansiosa por poder compô-las. Enchem-me de orgulho patriótico!

A minha 'mota'. Vou e venho do trabalho todos os dias de bicla e adoro. Ponho a carteira e o jornal na cesta, argolas a abanar ao vento por entre as tiras do capacete, e off I go. Também enfiei uma roda num carril do eléctrico e mandei um valente tralho no meio da rua do Alecrim às 8:30 da manhã, mas isso agora não interessa nada. (Levantei-me, avisei o chefe que me ia atrasar uns minutos, sacudi a roupa (e o orgulho) e fui trabalhar. De bicicleta!)


Nuno Lopes - é o tipo mais giro da TV. Sou uma sucker por talento, e disso ele tem às resmas, às paletes, aos charters. E ainda para mais é giro que dói.


Quando era pequena o meu pai trazia-me uns livros porreiríssimos, que já não eram bem livros para crianças, acabando por ser uma espécie de introdução à literatura mais a sério. As Minas de Salomão, ou A Volta Ao Munda Em 80 Dias, Oliver Twist, eram alguns deles; agora ando a relê-los e a adorar.

O OutJazz é das melhores coisas a acontecer em Lisboa. Um ambiente tranquilíssimo, uma onda muito boa, música porreira e umas cervejinhas bebidas de rabo chapado na relva. Especialmente ao domingo, aquele dia estúpido e deprê, é dos programas mais engraçados para se fazer com amigos. Fui na semana passada e notei com especial agrado um detalhe genial nas casas de banho: 1 de homens, 3 de senhoras. Vê-se bem que é uma mulher a organizar.



E, só para terminar:
"Foi tão bom para mim
Como foi para ti"